Perfil do condutor no seguro auto: o que informar e os riscos

Ilustração de uma prancheta com itens marcados, uma pessoa e um escudo, representando o questionário de perfil do seguro
Neste artigo
  1. O que o questionário costuma perguntar
  2. O que diz a Lei 15.040/2024
  3. Erros mais comuns no questionário
  4. Mudou algo? Faça o endosso
  5. Guarde uma cópia das suas respostas
  6. Como o perfil afeta o preço e o bônus
  7. Na hora do sinistro
  8. Conclusão: responda como se o sinistro fosse amanhã
  9. Perguntas frequentes

O questionário de perfil do seguro auto, chamado também de questionário de avaliação de risco, é o conjunto de perguntas sobre quem dirige, onde o carro fica e como ele é usado. As respostas definem o preço do seguro e entram no contrato.

Pela Lei nº 15.040/2024, em vigor desde dezembro de 2025, a omissão dolosa de uma informação relevante leva à perda da garantia, e a culposa obriga a pagar a diferença de prêmio.

Na prática, isso significa responder com o que é verdade hoje e atualizar a seguradora quando algo mudar. Um seguro mais barato por causa de uma resposta “otimista” pode virar um sinistro recusado justamente quando você mais precisa.

O que o questionário costuma perguntar

As perguntas variam entre seguradoras, mas os temas são parecidos:

TemaExemplos de perguntaPor que importa
Condutor principalQuem dirige o carro na maior parte do tempo? Idade, sexo, estado civilDefine o perfil de risco base
Condutores jovensAlguém de 18 a 25 anos que mora com você dirige o carro?Faixa com maior frequência de sinistros nas estatísticas das seguradoras
Local de pernoiteCEP onde o carro dorme; garagem fechada ou ruaInfluencia o risco de roubo e furto
Uso do veículoIda ao trabalho, lazer, trabalho com o carro, aplicativoUso comercial muda o risco
Garagem no trabalho ou na faculdadeO carro fica em estacionamento fechado durante o dia?Reduz a exposição
QuilometragemQuantos quilômetros por mês?Mais rodagem, mais exposição

Responda pensando na realidade dos próximos 12 meses, não no que acontece “às vezes”. Se a situação mudar durante a vigência, avise a seguradora.

O que diz a Lei 15.040/2024

A nova Lei do Contrato de Seguro revogou as regras de seguro do Código Civil, incluindo o antigo art. 766, e passou a tratar do tema nos arts. 44 a 46. Os pontos principais:

  • Dever de informar (art. 44): quem contrata deve fornecer as informações necessárias para a aceitação da proposta e o cálculo do prêmio, conforme o questionário da seguradora.
  • Omissão dolosa: leva à perda da garantia, sem prejuízo de o segurado continuar devendo o prêmio.
  • Omissão culposa: o segurado fica obrigado a pagar a diferença de prêmio. Se, com a informação correta, a seguradora não teria aceitado aquele risco, a consequência pode ser mais grave.
  • Dever da seguradora (art. 46): ela deve alertar quais informações são relevantes e explicar, nos questionários e comunicações, as consequências de não informar.

Apólices contratadas antes de dezembro de 2025

Contratos firmados antes da entrada em vigor da lei podem continuar regidos pela regra anterior, o art. 766 do Código Civil. Nele, a declaração inexata ou omissão de má-fé fazia o segurado perder a garantia. Sem má-fé, a seguradora podia resolver o contrato ou cobrar a diferença do prêmio.

Erros mais comuns no questionário

Os problemas que mais aparecem na hora do sinistro são previsíveis:

  • Declarar a mãe ou o pai como condutor principal quando quem usa o carro todos os dias é o filho jovem.
  • Informar o CEP de outro endereço, de parente ou de casa de veraneio, com risco menor que o real.
  • Dizer que há garagem fechada quando o carro dorme na rua.
  • Omitir o uso para trabalho, como entregas ou transporte por aplicativo.
  • Não avisar a mudança de endereço, de condutor ou de uso durante a vigência.

Em todos esses casos, a diferença no preço costuma ser bem menor que o prejuízo de um sinistro recusado.

Mudou algo? Faça o endosso

Endosso é a alteração formal da apólice durante a vigência. Ele serve para registrar mudanças como:

  1. novo endereço de pernoite;
  2. inclusão de condutor, inclusive jovem;
  3. troca de uso, como passar a trabalhar com o carro;
  4. troca de veículo.

O endosso pode gerar cobrança adicional ou devolução de parte do prêmio, conforme o novo risco. Peça sempre a confirmação por escrito, como o documento do endosso emitido, e não apenas um “anotado” por telefone.

Guarde uma cópia das suas respostas

Peça ao corretor ou baixe da área do cliente a proposta com as respostas do questionário. Muita gente não sabe, anos depois, o que foi declarado na contratação ou na última renovação.

Na renovação, confira se as respostas antigas continuam verdadeiras antes de aceitar. Renovações automáticas costumam repetir o perfil do ano anterior, inclusive o que mudou desde então.

Como o perfil afeta o preço e o bônus

Duas pessoas com o mesmo carro podem pagar valores bem diferentes por causa do perfil. Além disso, o histórico de sinistros entra no preço pela classe de bônus, que pertence ao segurado e o acompanha na troca de seguradora.

O perfil também interage com a franquia: algumas apólices preveem franquias diferentes quando o condutor no momento do sinistro está fora do perfil declarado. Leia as condições e veja os tipos de franquia em franquia do seguro auto.

Na hora do sinistro

O questionário é uma particularidade do contrato de seguro. Quem está avaliando uma associação de proteção veicular encontra regras diferentes, explicadas em seguro auto ou proteção veicular.

Quando você aciona o seguro, a seguradora regula o sinistro: confere as circunstâncias, quem dirigia, onde e como o carro estava sendo usado. Se as respostas do questionário batem com a realidade, essa etapa é burocrática. Se não batem, é onde surgem as recusas.

A Lei 15.040/2024 fixa prazos para a seguradora: em regra, 30 dias para se manifestar sobre a cobertura depois de receber a reclamação com os documentos necessários, e 30 dias para pagar depois de reconhecida a cobertura. Nos seguros de automóvel, o pedido de documentos complementares só pode suspender esse prazo uma vez.

Perguntas frequentes

Meu filho de 19 anos dirige o carro de vez em quando. Preciso informar?

Se o questionário pergunta sobre condutores de 18 a 25 anos que residem com você e usam o veículo, sim. Essa é uma das informações que mais pesam no preço, e omiti-la é uma das causas mais comuns de problema na hora do sinistro.

Mudei de endereço. Preciso avisar a seguradora?

Sim. O CEP de pernoite influencia o risco e o preço. Avise a seguradora ou o corretor para fazer o endosso da apólice.

Comecei a trabalhar com aplicativo de transporte. Meu seguro continua valendo?

O uso comercial do veículo muda o risco e costuma ter perguntas e produtos próprios. Informe a seguradora antes de começar. Usar o carro de forma diferente da declarada pode levar à recusa do sinistro.

A seguradora pode recusar o sinistro por uma resposta errada sem importância?

A Lei 15.040/2024 diferencia a omissão dolosa, que leva à perda da garantia, da culposa, que leva à cobrança da diferença de prêmio. A seguradora também deve deixar claro quais informações são relevantes. Uma resposta sem relação com o risco dificilmente justifica a recusa.

Conclusão: responda como se o sinistro fosse amanhã

O questionário de perfil é a base do contrato. Responda pensando em quem realmente dirige, onde o carro realmente dorme e para que ele realmente é usado. Se algo mudar, faça o endosso no mesmo mês.

O desconto de uma resposta “ajustada” é pequeno perto do risco de ficar sem indenização. Na dúvida sobre uma pergunta, pergunte ao corretor e guarde a resposta por escrito.

Fontes consultadas

Foto de Thiago Teodosio

Escrito por

Fundador e editor do Tudo em Dia

Thiago Teodosio é o fundador e editor do Tudo em Dia. Escreve guias práticos sobre documentos, obrigações e direitos do dia a dia, sempre a partir da legislação e de fontes oficiais, citadas no fim de cada artigo, e revisa os textos quando uma regra muda.